segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Noite fria, tempestade branda




Eu sento aqui na janela,
A chuva fria rebate contra o vidro de minha janela.
Encaro as gotas molhando as páginas do meu livro,
A tinta fica manchada, marcas de minha caneta,
Marcas em mim, marcas no papel.
Por tanto tempo correndo atrás do vento,
Esperando por momentos que nunca vieram,
Talvez nunca virão.
Olho novamente para a janela,
E essa tempestade que não cessa
Uma turbilhão lá fora, um estrondo aqui dentro.
Um sopro de vida em mim, uma brisa suave
Uma leve esperança,
Lembranças boas, daqueles que se foram,
Soluços roubam meu silêncio,
A luz da vela irrompe em meio à minha escuridão,
Tinha algo bom naquela noite fria,
Sentia algo, mesmo com meus dedos frios
Era tão diferente para mim.
Um reflexo bobo, as mãos molhadas
Segurava as minhas lágrimas,
Antes mesmo que tocassem o chão.
Me escondia, de mim mesmo,
Em mim mesmo,
Como em um labirinto sem saídas,
De caminhos tortuosos,
Mas que me mantinham seguindo em frente
Na esperança de encontrar algo melhor.


Wl

Momentos


 Na vida, sempre temos medo de amor,
Tentamos evitar, tentamos esconder,
Mas é algo que não podemos fugir.
Não estamos prontos para isso,
Na verdade, nunca estaremos.
Todavia, há momentos que nos rendemos,
Deixamos tudo de lado e encaramos isto
Trancafiados, nos entristecemos,
Não temos aquilo que tanto precisamos.
Perde-se a consciência e grita-se em desespero:
Por que o amor é assim?
Nos cegamos de propósito,
Para esquecer as consequências de nossas banalidades
Corremos atrás dele, sem limites, sem fim
Amantes, pobres amantes, são tão tolos
Mas não os culpo,
Como fugir de tão confuso sentimento?
O amor é como um vento sem direção,
Mas, quando muito forte, pode fazer grande estrago.


Wl

Doce melodia


Vem, me aquece com tuas palavras
Acalma minha alma, alegra meu coração.
Vem, como música a tocar, as horas a passar,
A melodia mais bela.
Vem, como um sonho,
Invade meus pensamentos e estrangula os meus medos.
Vem, toca meu rosto,
Me põe em teu colo e diz que me ama.
Não esqueço a melodia,
A tua doce companhia, os teus olhos.
Ouço o vento a soprar, no silêncio a gritar
Que não é mais primavera.
Mas, hoje eu sei que é só eu e ela.


Wl

Domesticados


Voltei da guerra vitorioso,
Ou seria derrotado?
Amigos se foram, não voltam mais.
Lembrarei desses grandes guerreiros,
Heróis, soldados.
Triste lembranças,
Me assombram, me desolam.
A batalha, mais uma vez, inútil,
Todos saíram derrotados.
Venceram aqueles que não lutaram,
Que viram seus irmãos ao chão,
Banhados em sangue e lágrimas.
A marca da liberdade que patrocina a ganância.
Grandes pequenos líderes, covardes.
Sei que isso um dia terá fim,
A ignorância não nos tomará mais,
Não nos aprisionará mais,
Pois seremos para sempre livres...
O voo dos soldados, a queda de irmãos.
Como pássaros arranham os céus,
Como uma pena caem.
Qual será o impacto de uma pena no chão?
Qual será o peso das lágrimas daqueles que ficam?
Quem gritará nosso brado de vitória e liberdade?
Enjaulados em nossa própria ingenuidade,
Ludibriados por nossos maiores medos,
Encurralados por nosso silêncio,
Que nos sufoca, mas, muitas vezes, nos distrai.
Marchamos nas ruas em desilusão,
Fingimos uma revolução,
Tudo em troca da redenção de nossos pecados,
Pois já fomos, pelo nosso próprio orgulho,
Domesticados.


Wl

A rosa e o beija-flor



Ela me encarava com aquele olhar profundo,
Me deixava sem reação,
Podia me ver por trás daqueles olhos brilhantes.
Seu sorriso me paralisava,
Como que implorasse pelo meu.
Estava distraída consigo mesma,
Disfarçadamente olhava.
Doce, revirando um cacho de seus cabelos longos.
Seu silêncio me incomodava,
O ouvia de longe, mesmo sem as palavras certas.
Estava ali, frente a frente com ela,
Mas não poderia tocá-la, não poderia beijá-la.
Estava desconcertado, me perdia em meus pensamentos
Não sabia defini-la, decifrá-la, conquistá-la.
Sentia aquele doce perfume,
Caminhava ao seu lado,
Apenas admirando-a,
Perseguindo seu sorriso,
Passava as noites imaginando.
O que falar? O que pode acontecer?
E em minhas dúvidas o tempo passava,
Me desesperava, mas nada acontecia.
Sem poder me declarar,
Aos poucos, enlouquecia.
E ela fazia do meu coração ancoradouro.
No fim daquele dia, lhe roubei... um beijo,
Lhe sequestrei... o sorriso,
Prendi seu rosto no meu,
Amarrei seu corpo no meu,
E, por fim, eu a tornei a rosa e eu o beija-flor.

Wl

domingo, 30 de agosto de 2015

Enigmático



Sou um diário aberto,
Mas nem todos sabem ler o que está escrito.
Sou poema, sou prosa e poesia.
Sou meus medos e segredos, sou meu sorriso e fé,
Ao mesmo tempo sou o reflexo de meus sonhos,
Sou as pessoas a quem amo e quero bem.
Sou o desconhecido.
Sou complexo, sou matemático, hipotético.
Sou o livro de capa dura encostado na estante, cheio de respostas,
Mas que nem sempre sabe as palavras certas.
Sou o que bem quero ser...

Wl


A menina e seu reflexo



É aquela menina da janela?
A poesia em meu sorriso?
A princesa do castelo?
A garotinha temerosa?
Tão doce e sutil, tão forte e independente.
Se esconde com seus medos e segredos,
Mas é o espelho quem sabe ouvi-la.
De joelhos mostra sua fé, de pé sua confiança,
Deitada, muitas vezes, sua insegurança.
Mas hoje calçou o calçado e pôs batom,
Não olhará para trás da mesma forma, seu salto alto ergueu seu olhar.
Mesmo em meio aos desequilíbrios, segue sempre em frente.
Inocente, segue esperando o momento certo.
Balança, balança, ah como balança a sua bolsa.
Desconfortável olha no relógio,
Aprecia como ninguém aquele barulhinho chato em seu pulso.
Ansiosa a esperar o que há de vir,
Mas confiando que o melhor virá...


Wl